CACHOEIRA PAULISTA - Minha terra pequenina.

CACHOEIRA PAULISTA


“Minha terra pequenina,
minha amada Cachoeira,
tu és cidade oficina,
da Nação, pequena obreira.”


Conforme o dito popular, pequenos frascos sempre trazem os melhores perfumes, e assim é que esta “minha terra pequenina”, louvada nos versos de Ovídio de Castro e cantada por Nelson Lorena, vem, ao longo do tempo, produzindo e abrigando ampla gama de artistas e intelectuais dedicados à preservação e ao engrandecimento de sua história. Segue uma breve apresentação desta “pequena obreira” da nação, para conhecimento de todos.
Cachoeira Paulista foi emancipada em 1880, mas suas origens remontam há muito tempo antes. Em 1560, o bandeirante Brás Cubas navegando com sua expedição pelo Rio Paraíba, devido às corredeiras no local, ali aportou e, seguindo por terra rumo às Minas Gerais, fundou um povoado no atual Embaú. Muitos outros desbravadores passaram pela região, entre eles, João Ramalho, João Pereira Botafogo, Felix Guizard, Domingos Rodrigues, e Jacques Felix.
Documentos de 1730, citam um povoamento pertencente à Vila de Lorena, denominado "Arraial do Porto da Caxoeira", mas foi aos 18 de outubro de 1784 que Manoel da Silva Caldas e sua esposa Ângela Maria de Jesus, doaram “200 braças de testada do Rio Paraíba e meia légua em direção aos sertões situados na margem esquerda do Rio Paraíba, até as divisas com o Embaú", para patrimônio da capela do Bom Jesus da Cana Verde, erigida em suas terras por Sebastiana de Tal, constituindo de fato o arraial.
As primeiras edificações eram choupanas de pobres sertanejos e pescadores das margens do Rio Paraíba e, a primeira “rua” chamada, Bom Jesus, era uma trilha que partia da capelinha e avançava até o caminho por onde passavam as tropas. Em 1822, a corte no Rio de Janeiro já estava ligada a São Paulo por uma estrada, pela qual passou por Cachoeira o príncipe regente D. Pedro, durante a viagem em que proclamou a independência do Brasil, fato documentado no monumento próximo à atual Estação Rodoviária.
Em 1862, Ana Ortiz financiou a construção na margem direita de uma capela em louvor a Santo Antonio, que se tornou o santo padroeiro da cidade.
No final do século XIX, a Estrada de Ferro D. Pedro II desencadeou na pequena Vila uma grande transformação. A Estação de Cachoeira, obra que custou $300 contos de réis, construída pelo engenheiro Newton Benaton e inaugurada oficialmente em 8 de julho de 1877, tornou-a o centro escoador da produção cafeeira da região. Cachoeira possuía dois jornais semanais, “Gazeta da Bocaina” e “Eco Municipal”, dois hotéis grandes e luxuosos, um Teatro Municipal que apresentava espetáculos permanentemente, além de outras benfeitorias, ainda raras nas cidades do Vale do Paraíba.
Em 9 de março de 1880, a freguesia de Santo Antônio do Porto da Cachoeira foi desmembrada da Vila de Lorena, passando a chamar-se Vila de Santo Antonio da Bocaina. A primeira Câmara Municipal, instalada no dia 8 de janeiro de 1883, funcionava na torre central da estação ferroviária sob a presidência do coronel Domiciano Rodrigues Pinto e, curiosamente, todos os cinco vereadores tinham o mesmo nome: Joaquim Pedro Barbosa, Joaquim Cândido Pinto, Joaquim José Rodrigues da Motta, Joaquim L. de Freitas Braga e Joaquim dos Santos Pinto Júnior.
Cachoeira Paulista ficou profundamente marcada por sua participação na Revolução de 1932. Estrategicamente situada próximo às fronteiras dos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, transformou-se no Quartel General do Movimento Constitucionalista, dando apoio logístico ao famoso trem blindado dos revolucionários paulistas com suas instalações ferroviárias, fatos representados em sua bandeira e evocados em seu brasão.
A cidade recebeu finalmente a denominação atual em 24 de dezembro de 1948 mas, anteriormente teve diversos outros nomes: Porto da Caxoeira, Arraial do Porto da Caxoeira, Porto da Cachoeira, Arraial Porto da Cachoeira de Santo Antonio, Freguesia de Santo Antonio da Cachoeira, Vila de Santo Antonio da Bocaina, Vila de Santo Antonio da Cachoeira, Vila da Bocaina, Bocaina, Cachoeira e Valparaiba, além de uma enorme variação de nomes registrados em documentos particulares e mesmo em alguns oficiais.
Por trás dos contrafortes da Serra do Mar que dominam a cidade, nasce o rio Paraitinga que, depois de encontrar-se com as águas do rio Paraibuna, recebe o nome de Paraíba do Sul, rio de importante significação, banhando três Estados, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Cachoeira Paulista é banhada pelo rio Paraíba no trecho em que ele deixa de ser navegável pela formação de pequenas corredeiras que, por ocasião da vazante, dão impressão de cachoeiras, daí originando-se o nome de "Caxoeira". No município, desembocam 5 dos seus afluentes: Bocaina, Embaú, Pitéu, Jataí e Salamanco.
Nos dias atuais, Cachoeira Paulista se destaca como sede do movimento religioso católico, Canção Nova e pelas atividades do Centro de Estudos Climáticos do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

GALERIA DE IMAGENS


Silva Caldas entrega o documento de posse das terras
a Sebastiana de Tal. Fundação de Cachoeira em 18-10-1784.
Tela de Nelson Lorena


Vista recente da Igreja do Bom Jesus,
na margem esquerda do Paraíba.


Sua Alteza Imperial, Príncipe D. Pedro,
de passagem por Cachoeira, em 18-08-1822.
O monumento e seu autor, Nelson Lorena.


Inauguração da Estação de Cachoeira, durante a primeira viagem
de trem entre Rio e São Paulo em 18-07-1877.
Em tela de Nelson Lorena.


A Estação de Cachoeira à época da criação
da primeira Câmara Municipal.


Vista do Torreão Central da Estação.
Sede da Primeira Câmara Municipal, um
importante patrimônio histórico, em ruínas.


O Teatro Municipal de Cachoeira,
um dos mais antigos do país, inaugurado em 1883.
Apresentou grandes espetáculos e importantes
compositores, entre eles, o mestre Vila Lobos.


Mãe se despede do filho e um amigo
no QG das Forças Revolucionárias.
Cachoeira Paulista em 1932.


Inauguração do Monumento ao Soldado Constitucionalista
na praça central da cidade, em 07-09-1936.
Escultura em bronze fundido, de Nelson Lorena.


Monumento ao Soldado Constitucionalista
"Aos que tombaram pela Lei."
no Cartão Postal da cidade.


Igreja de São Sebastião na Praça Prefeito Prado Filho.


Vista da Estação de Cachoeira, tendo ao fundo o Rio Paraíba


Rua Prefeito Antonio Mendes.
Vista do cotidiano da cidade em 1952.
No alto, à direita, a torre da Matriz de Santo Antonio.


Igreja Matriz de Santo Antonio, Padroeiro de Cachoeira Paulista.


Vista parcial da cidade, com a Serra da Bocaina ao fundo.


Em Cartão Postal, o pontilhão da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil
no ponto onde começam as corredeiras do Rio Paraíba.



Vista aérea do Departamento de Geração de Imagens do INPE,
tendo ao fundo a Serra da Mantiqueira.


O Cruzeiro dos Sinos na entrada do
parque da Canção Nova.






SÍMBOLOS CÍVICOS DE CACHOEIRA PAULISTA

BRASÃO DE CACHOEIRA PAULISTA


Escudo português, tradicionalmente usado pelas municipalidades brasileiras lembrando a origem étnica do nosso povo, encimado pela coroa de oito torres, de ouro, símbolo da autonomia municipal. O escudo é diviso, sendo cortado e semipartido em chefe. No primeiro quartel à destra do chefe em campo de blau (azul), significando a serenidade do povo cachoeirense e evocando também o excelente clima da região; uma cruz de ouro e uma palma natural, sobreposta a uma Bíblia de prata, lembrando a formação religiosa do povo e o Padroeiro da cidade, Doutor da Igreja Católica, Santo Antonio; nessa peça honrosa, o ouro significa nobreza de sentimento e a prata, a fé cristã. No segundo quartel à sinistra do chefe, em campo sinople (verde), uma roda dentada, de ouro, sobre a qual se destaca um latão de leite estilizado, significando o verde, a esperança, lembrando também as verdes pastagens da região cortada pelo lendário rio Paraíba, representado por uma faixa ondulada de prata; a peça deste quartel identifica a indústria de laticínios como sendo o expoente máximo da economia do município, neste caso o ouro simbolizando riqueza e a prata, operosidade, trabalho e progresso.
No terceiro quartel em ponte, em campo de goles (vermelho), um capacete de aço e a espada, relembrando o fato de Cachoeira ter sido sede do QG das forças revolucionárias paulistas na epopéia de 1932, e a locomotiva estilizada evocando o famoso trem blindado utilizado nesse movimento bélico, cuja sede era também Cachoeira, e lembrando a classe dos operários que mourejam nas oficinas da EFCB, que formam grande parte da população. Como ornamentos do escudo, à destra um ramo de cana na sua cor natural e à sinistra um ramo de café frutificado, ao natural, entrecruzados, lembrando a passada riqueza agrícola do município, com especial significado o ramo de cana, cujo plantio à Margem Esquerda, nos primórdios da colonização da região, deu origem ao nome do patrimônio de Bom Jesus da Cana-Verde. No fitão de goles, em letras de prata, inscreve-se a divisa “Pugnavi Propter São Paulo” ("Lutei por São Paulo"), honrando as glórias do passado.


BANDEIRA DE CACHOEIRA PAULISTA



Profundamente marcada pela Revolução Constitucionalista de 1932, Cachoeira Paulista optou por adotar o modelo paulista em sua bandeira, com 13 listras horizontais e alternadas em preto e branco. Encimando a esquerda superior da bandeira, um retângulo em cores transversais, azul, vermelho e verde, as mesmas cores simbolicamente representadas e descritas no brasão. Nesse retângulo aparece estilizado, na cor branca, o mapa do estado de São Paulo e dentro do mapa o brasão do município.



HINO DA CIDADE DE CACHOEIRA PAULISTA


Arranjo de José Marcos Pereira e Patrícia Maria da Silva 
Interpretação de Adilson S. Sabará. 


OPÇÃO 4SHARED





OPÇÃO YOUTUBE



HINO DA CIDADE DE CACHOEIRA PAULISTA

MINHA TERRA
Letra de: Ovídio de Castro
Música de: Nelson Lorena

REFRÃO
Minha terra pequenina,
minha amada Cachoeira,
tu és cidade oficina,
da Nação, pequena obreira.

I

No sopé da Mantiqueira,
quase junto às suas faldas
fundou minha Cachoeira,
o lendário Silva Caldas.
Feita de vales e montes,
minha terra pequenina
tem a nutri-la, três fontes,
a enfeitá-la uma colina.

II

Cingem-lhe a cinta, dois rios
que, avistados bem de cima,
são dois versos luzidios,
vazados em bela rima.
O sol, sobre a minha terra,
quando nasce, alegra tudo:
primeiro as aves da terra,
depois, o arvoredo mudo.

III

O homem que mora nela
tem coragem, enfrenta a vida,
sai ao mar, fica sem vela,
mas traz o mar de vencida.
Quando a dor se manifesta
entre o seu povo sublime,
quem é saudável empresta
a outrem o bem que redime.



Colaborou para esta postagem o Professor JOSÉ MAURÍCIO DO PRADO.
Redação e edição de imagens e textos: MILTON LORENA

7 comentários :

Adriano Ambrosio Nogueira de Sá disse...

Parabéns por tornar público este rico acervo que faz parte da história de nossa pequena Cachoeira Paulista.
Um material de grande valia para as novas gerações e preservação da identidade cultural do municipio.

Claudia Varella disse...

O acervo é riquíssimo de informações. Vou utilizá-lo à beça para a produção de uma edição do Tamanho Família (jornal mensal da família Fortes Pinto) sobre os 230 anos de Cachoeira.
Parabéns!

Gisele disse...

Boa tarde meu nome é Gisele Lacerda,e gostaria de entrar em contato com vcpara obter algumas informações sobre Cachoeira Paulista e a Estaçãopois estou fazendo meu TCC sobre a Estação.Se possivel me mande um e-mail no:
GISELE.LACERDA@GRUPOCCR.COM.BR ou LACERDAGISELE@YAHOO.COM.BR.Fico no aguado de um contato.Abraços Gisele

Thamiris Barbosa disse...

Um belo post sobre uma riquissima história que Cachoeira Paulista tem e que eu mesma, filha de Cachoeira, não conhecia.
Uma pena tanta história bonita como essa ter se perdido na memória de muitas pessoas. Queria todos vissem o quanto Cachoeira é bonita e dessem valor pela sua história, lutassem para sua melhora e que quizessem crescer junto com esta bela cidade.
Belíssimo material, parabéns!

Anônimo disse...

Maravilhoso trabalho... aguça a vtde de saber mais sobre a historia de nossa cidade e de nosso povo... devemos difundir este trabalho a todos cachoeirenses, principalmente aos jovens que estão paralisados diante de tanta mediocridade imposta pelos meios de comunicação em massa.
Paulo de Tarso Azevedo

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
milton lorena disse...

Obrigado Paulo de Tarso. Se você quiser mesmo saber mais sobre nossa Cachoeira, sua história e sua gente, recomendo o livro CRÔNICAS de Nelson Lorena, o Artista Cachoeirense. Nesse caso, peço-lhe o favor de entrar em contato comigo pelo link: FALE COMIGO

Abraços